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Para driblar a resistência dos pais e
conseguir o que desejam, as crianças
testam vários tipos de comportamentos
até descobrir qual deles funciona
melhor.
Alguns recorrem à chantagem emocional.
Outros discutem, contestam, com o
intuito de vencê-los pelo cansaço e há,
ainda, as que fazem um dramalhão quando
contrariadas, para intimidá-los ou
comovê-los.
Tudo depende do temperamento de cada
uma. Levar esse detalhe em consideração.
Lembram os psicólogos, é o primeiro
passo para conseguir lidar melhor com os
filhos.
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VALORIZE O NÃO
Na hora do confronto com os adultos, a
imaginação dos pequenos não tem limites
— o que infelizmente, não acontece com a
paciência dos pais. Para enfrentar essas
situações é importante lembrar da
necessidade de colocar regras e
limitações com firmeza, sem se deixar
intimidar. Dizer "não" aos filhos, em
algumas situações, significa iniciar uma
verdadeira batalha, mas é preciso
enfrentá-la quando for realmente
necessário. "Fundamental nesse processo
é valorizar o "não" e isso só se
consegue quando se tem bons motivos para
impô-lo. Caso contrário não se consegue
sustentá-lo, e aí ele perde a força",
lembra Silvana Rabello.
Confira características normalmente
apresentadas pelas crianças:
O ARGUMENTADOR
É o tipo comunicativo, cheio de energia,
que jamais aceita um "não" como resposta
e quer saber, a todo custo, por que as
coisas não podem acontecer como ela
gostaria. Questiona insistentemente os
pais com o objetivo de fazer com que
eles desistam de impor o que querem e
acabem concordando com ele. O que,
aliás, não é difícil de acontecer,
porque cansa os adultos ou acaba
incutindo neles um sentimento de orgulho
("meu filho sabe o que quer") quer os
torna complacentes.
O SEDUTOR
Esse não se intimida com palavras
autoritárias ou repreensões. Tenta
manipular os pais com olhares,
brincadeiras ou sorrisinhos marotos para
persuadí-los a esquecer da bronca. É
esperto o suficiente para detectar
exatamente o ponto fraco dos adultos e
fazê-los se render aos seus encantos.
O que não funciona com ele
Entrar no jogo da sedução. Apesar da
tentação, evite cair na risada ou
demonstrar irritação diante das
gracinhas dele, porque isso lhe assegura
que tem o poder de controlá-la
emocionalmente, o que torna sua
"técnica" eficaz.
O que não funciona
Ignora seus truques. Ser firme e
demonstrar confiança naquilo que está
dizendo. Explicar por que ele não pode
fazer uma determinada coisa e não se
intimidar com suas gracinhas.
O PERFECCIONISTA
Estabelece padrões muito rígidos para si
mesmo e é muito crítico quando comete
algum erro. Crianças desse tipo, quando
repreendidas ou censuradas, tendem a
dizer "ninguém gosta de mim" ou se culpa
pelo que fizeram.
O que não funciona com ele
Criticá-lo. Depois do "não", evite
frases do tipo "você já deveria saber
disso" ou "estou triste com você". O
perfeccionista já tem um sentimento
agudo de decepção consigo mesmo e não
precisa de reforço nisso. Além de piorar
sua auto-estima, a crítica não fará com
que mude de atitude.
O que funciona
Envolver a criança na solução do
problema. Quando ela se recusa a aceitar
um determinado limite, demonstre que
confia na sua capacidade de resolver a
questão. Assim se sentirá valorizada e
você não correrá o risco de ser
chantageada com frases mais apelativas
do tipo "sou mesmo uma idiota e você me
odeia". Se isso acontecer, resista à
tentação de dizer "isso não é verdade;
nós te amamos". A criança precisa
entender que sua bronca não tem nada a
ver com seus sentimentos em relação a
ela. Se continuar insistindo em se
culpar ou menosprezar, procure a
orientação de um psicólogo.
O DESLIGADO
Ele vive no "mundo da lua", inclusive
quando é repreendido. Ignora
completamente o que seus pais estão
dizendo e continua envolvido em suas
atividades, deixando claro que não se
importa com a opnião deles.
O que não funciona com ele
Pensar que suas orientações serão
ouvidas apenas porque você as repete com
freqüência. Se a criança não estiver com
a "antena ligada" e, principalmente,
interessada no que você tem a dizer, não
vai conseguir absorver a mensagem.
Insistir em "brigar sozinha" diante do
desprezo absoluto dela irá apenas deixar
você cada vez mais nervosa.
O que funciona com ele
Olhar bem dentro dos olhos da criança e
pedir que ela a escute. Se for preciso,
você deve intervir de maneira mais
objetiva: pegue-a no colo e retire-a do
local onde não deveria estar, ou
coloque-a na cama se chegou à hora de
dormir, sem discutir ou permitir
qualquer tipo de argumentação. Se ela
continuar ignorando totalmente, e com
freqüência, suas investidas em
discipliná-la, convém buscar a ajuda de
um psicólogo.
O DRAMÁTICO
É a criança que dá a impressão de sofrer
intensamente com as repreensões ou
limitações. Cai em prantos, joga-se no
chão, arma a maior cena quando chega a
hora de dormir. O objetivo é intimidar
os pais que, por pena ou
constrangimento, acabam por desistir de
enfrentar o escândalo se sucumbem aos
seus desejos.
O que não funciona com ele
Fazer escândalo. Claro que é muito
difícil manter a calma diante de uma
criança se debulhando em lágrimas, no
auge de um ataque de histérico. Mas se
você se descontrolar e demonstrar sua
irritação com a mesma intensidade que
ela, estará lhe ensinando que essa é, de
fato, a forma correta de se comportar em
situações de conflito.
O que funciona com ele
Falar baixo, de maneira objetiva, e com
muita convicção. Muitas vezes é difícil
manter a serenidade diante das cenas que
a criança apronta. Se perceber que vai
perder o controle, conte até dez,
respire fundo e aceite, no máximo,
negociar com ela. Por exemplo: "Agora
você não pode comer chocolate porque
está na hora do almoço. Se quiser,
podemos deixá-lo para a sobremesa".
Algumas vezes a criança
precisa de um tempo para se acalmar e
perceber que seu escândalo não está
surgindo efeito. |